O Egito
desenvolveu uma das principais civilizações da Antiguidade e nos deixou uma
produção cultural riquíssima. Temos informações detalhadas sobre essa cultura
graças a sua escrita bem estruturada.
O aspecto
cultural mais significativo do Egito Antigo era a religião, que tudo orientava.
Acreditava-se em vários deuses e na vida após a morte, mais importante que a
vida terrena. A felicidade e a garantia da vida depois da morte dependiam dos
rituais religiosos. A arte como não poderia deixar de ser, refletia essa visão
religiosa, que aparece representada em túmulos, esculturas, vasos e outros
objetos deixados junto aos mortos.
A arquitetura
Como
consequência da intensa religiosidade, a arquitetura egípcia apresenta
grandiosas construções mortuárias, que abrigavam os restos mortais dos faraós,
além de belos templos dedicados às divindades. São exemplos dessas construções
as pirâmides de Gizé, erguidas durante o Antigo Império.
As pirâmides são
obras arquitetônicas mais conhecidas até hoje, mas foi no novo Império que o
Egito viveu o auge de seu poder e de sua cultura. Os faraós desse período
ergueram grandes construções, como templos de Carnac e Luxor, dedicados ao Deus
Amon.
Durante o
reinado de Ramsés II, no século XIII a. C. a principal preocupação do Egito era
a expansão de seu poder político. Toda a arte desse período era usada como
forma de demonstrar poder.
A pintura
Os pintores
egípcios estabeleceram várias regras que foram seguidas durante muito tempo, ao
longo do Antigo Império. Entre elas, a regra do frontalidade chama atenção pela
frequência com que aparece nas obras.
Aspectos
técnicos como perspectiva, proporção entre as figuras e o ponto de vista do
autor da obra ainda não preocupavam os pintores egípcios. Tudo era mostrado
como se estivesse de frente para o observador.
A rigidez dessas
regras só seria quebrada no reinado de Amenófis IV, no Novo Império. Ele
transferiu a capital de Tebas para Amarna e, pois um fim a região politeísta,
impondo ao povo uma religião monoteísta, cujo único deus era Aton, o deu do
sol, e adotando o nome de Akhnaton em homenagem a ele.
Akhnaton
encomendou pinturas e relevos em que ele, o faraó, não era visto em posturas solenes
e austeras como seus antecessores.
Após a morte de
Akhnaton, a tendência para a informalidade nas representações artísticas
perdurou em algumas obras do início do reinado de Tutancâmon, seu filho e
sucessor.
Quando Tebas
voltou a ser a capital do Egito e o politeísmo foi restaurado, muitos artistas
voltaram a representar os governantes em posturas formais.
A escultura
A escultura é a
mais bela manifestação da arte egípcia no Antigo Império. Apesar das muitas
regras existentes para esse tipo de arte, os escultores criaram esculturas
bastante expressivas. Os egípcios acreditavam que, além de preservar o corpo
dos mortos com a mumificação, era importante encomendar a um artista uma
escultura que reproduzisse seus traços físicos. Essa concepção da escultura não
era aplicada apenas às obras que representavam os mortos. Para os egípcios,
todas as esculturas deveriam revelar as características do retratado, como a
fisionomia, os traços raciais e a condição social.
(PROENÇA, Graça.
Descobrindo a história da Arte. São
Paulo: Ática, 2005.)
Para nós, esses
relevos e pinturas murais fornecem um quadro extraordinariamente vigoroso da vida
no Egito há milhares de anos. E, no entanto, olhando-os pela primeira vez, é
muito provável que os achemos bastante insólitos e nos causem uma certa
perplexidade. A razão é que os pintores egípcios tinham um modo de representar
a vida real muito diferente do nosso. Talvez isso se relacione com a finalidade
diferente que tinha de ser servida por suas pinturas. O que mais importava não
era a boniteza, mas a inteireza. A tarefa do artista consistia em preservar
tudo o mais clara e permanentemente possível. Assim, não se propuseram
bosquejar a natureza tal como se lhes apresentava sob qualquer ângulo fortuito.
Eles desenhavam de memória, de acordo com regras estritas que asseguravam que
tudo o que tinha de entrar no quadro se destacaria com perfeita clareza.
![]() |
| Figura 1 - Tanque pintado sobre túmulo em Tebas. 1400 a.C. |
![]() |
| Figura 2 - Retrato de Hesire de uma porta esculpida em seu túmulo. 2700 a. C, |
A fig. 2 mostra o efeito que essa ideia teve na representação do corpo humano. A cabeça era mais facilmente vista de perfil, de modo que eles a desenharam lateralmente. Mas, se pensamos no olho humano, é como se fosse visto de frente que usualmente o consideramos. Portanto, um olho de frente era plantado na vista lateral da face. A metade superior do corpo, os ombros e o tronco, são melhor vistos de frente, pois desse modo vemos como os braços estão ligados ao corpo. Mas braços e pernas em movimento vêem-se muito mais claramente de lado. Essa é a razão pela qual os egípcios, nessas imagens, nos parecem tão estranhamente planos e contorcidos. Além disso, os artistas egípcios achavam difícil visualizar um pé ou outro visto de um plano exterior. Preferiam o contorno claro desde o dedão para cima. Portanto, ambos os pés são vistos de dentro e o homem no relevo parece ter dois pés esquerdos. Não se deve supor que os artistas egípcios pensavam que os seres humanos tinham essa aparência. Seguiam meramente uma regra que lhes permitia incluir tudo o que consideravam importante na forma humana. Talvez essa rigorosa adesão à regra tivesse algo a ver com a finalidade mágica da representação pictórica. Pois como poderia um homem com seu braço "posto em perspectiva" ou "cortado" levar ou receber as oferendas requeridas ao morto?
É uma das
maiores façanhas da arte egípcia que todas as estátuas, pinturas e formas
arquitetônicas parecem encaixar-se nos lugares certos, como se obedecessem a
uma só lei. A tal lei, à qual todas as criações de um povo parecem obedecer,
chamamos um "estilo". É difícil explicar com palavras o que produz um
estilo, mas é muito menos difícil vê-lo. As regras que governam toda a arte
egípcia conferem a cada obra individual o efeito de equilíbrio, estabilidade e
austera harmonia.
GOMBRICH, E.H. A História da Arte (Terceira edição). Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1983.


Nenhum comentário:
Postar um comentário